{"id":350,"date":"2017-04-16T21:53:24","date_gmt":"2017-04-17T00:53:24","guid":{"rendered":"http:\/\/plantasdobrasil.com.br\/blog\/?p=350"},"modified":"2017-04-16T22:52:52","modified_gmt":"2017-04-17T01:52:52","slug":"pesquisadores-desvendam-manuscritos-feitos-sobre-frutas-de-florianopolis-ha-200-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/plantasdobrasil.com.br\/blog\/pesquisadores-desvendam-manuscritos-feitos-sobre-frutas-de-florianopolis-ha-200-anos\/","title":{"rendered":"Pesquisadores desvendam manuscritos feitos sobre frutas de Florian\u00f3polis h\u00e1 200 anos"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>Adivinhe qual \u00e9 a fruta. De uma \u00e1rvore de cujo cerne se tira tinta amarela, que se colhe em janeiro e, para com\u00ea-la inteira, primeiro se lava o leite que ela tem, sem esbrugar? Ou que tal provar do fruto colhido em dezembro, que podemos ingerir inteiro, menos a casca, e da qual mesmo que os caro\u00e7os escorreguem pela garganta, n\u00e3o faz mal algum? J\u00e1 pensou em provar aquela da \u00e1rvore que cresce mais de 20 palmos, colhe-se em dezembro, come-se toda \u2013 exceto o caro\u00e7o \u2013 e deixa a boca cheirando a rosas?<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As descri\u00e7\u00f5es da flora catarinense, ainda que pequem na falta de detalhes ou na precis\u00e3o, se referem, respectivamente, a amoras, jabuticabas e jambo. Foram registradas pela primeira vez em 1803, pelo major do 1\u00ba Batalh\u00e3o de Linha de Santa Catarina, Ant\u00f4nio Jos\u00e9 de Freitas Noronha.<\/p>\n<p>Ao registrar em manuscritos e desenhos feitos em aquarela, que deram origem a 38 c\u00f3dices, Noronha foi pioneiro em catalogar a bot\u00e2nica da Ilha de Santa Catarina e parte do territ\u00f3rio catarinense. Cinco anos antes da chegada da fam\u00edlia real portuguesa ao Brasil \u2013 que se estabeleceu em 1808, no Rio de Janeiro \u2013, o ent\u00e3o governador da Capitania de SC, coronel Joaquim Xavier Curado, teve um estalo de oportunidade.<\/p>\n<p>Como sabia que a rainha Dona Maria I tinha interesse em fomentar pesquisas de bot\u00e2nica para desenvolver a agricultura, encarregou Noronha, a quem considerava bom subordinado e inteligente, a catalogar a flora local.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Folheie abaixo exemplares da obra de Noronha<\/h2>\n<p><iframe style=\"width:100%; height:800px;\" src=\"\/\/e.issuu.com\/embed.html#29197431\/47303505\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Noronha era leigo, mas havia tido li\u00e7\u00f5es de desenho no ex\u00e9rcito. Os c\u00f3dices receberam do militar uma breve descri\u00e7\u00e3o de 38 esp\u00e9cimes. O trabalho do desbravador, no entanto, n\u00e3o teve reconhecimento na \u00e9poca e foi esquecido. Pouco mais de 200 anos depois, Marli Cristina Scomazzon, Jeff Franco e Daniel de Barcellos Falkenberg reuniram as figuras no livro <i>Hist\u00f3ria Natural da Ilha de Santa Catarina \u2013 O c\u00f3dice de Ant\u00f4nio Jos\u00e9 de Freitas Noronha<\/i> (Editora Insular; 110 p\u00e1ginas).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_352\" style=\"width: 650px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-352\" class=\"size-full wp-image-352\" src=\"http:\/\/plantasdobrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/23215911.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria Natural da Ilha de Santa Catarina \u2013 O c\u00f3dice de Ant\u00f4nio Jos\u00e9 de Freitas Noronha\" width=\"640\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/plantasdobrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/23215911.jpg 640w, https:\/\/plantasdobrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/23215911-300x200.jpg 300w, https:\/\/plantasdobrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/23215911-451x300.jpg 451w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><p id=\"caption-attachment-352\" class=\"wp-caption-text\">C\u00f3dice de Noronha e Marli Scomazzon, autora de Hist\u00f3ria Natural da Ilha de SC, ao lado de Jeff Franco e Daniel Falkenberg Foto: Cristiano Estrela \/ Agencia RBS<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A obra reproduz os originais de Noronha e acrescenta fatos hist\u00f3ricos a respeito da dura vida na Ilha de Santa Catarina, e traz uma an\u00e1lise de Falkenberg, professor do Departamento de Bot\u00e2nica da UFSC, sobre os acertos e as imprecis\u00f5es do militar.<\/p>\n<p>\u2013 Ele foi o primeiro a tentar classificar, nomear e registrar o que se tinha naquela \u00e9poca. Levando em conta que o primeiro registro bot\u00e2nico das \u00e1rvores nativas da Ilha de Santa Catarina s\u00f3 foi feito em 1970 por Roseli Mosimann e Ademir Reis, 170 anos depois, Noronha foi pioneiro \u2013 atesta Marli.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Miss\u00e3o de explorar as riquezas do Estado<\/h2>\n<p>O militar nascido na Ilha da Madeira em 1744 chegou a Desterro aos sete anos. Com a fam\u00edlia, escapou da fome para tentar a sorte do outro lado do Atl\u00e2ntico. S\u00f3 receberia a miss\u00e3o de esquadrinhar a flora local cinco d\u00e9cadas mais tarde.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 clareza se Noronha apenas levantou a vegeta\u00e7\u00e3o da Ilha ou se avan\u00e7ou no interior do Estado. Essa d\u00favida \u00e9 levantada pelo professor Falkenberg, quando se depara com uma figura do pinh\u00e3o e de duas esp\u00e9cies referidas como do campo: ara\u00e7\u00e1-pequeno e camarinha-branca.<\/p>\n<p>Noronha recebeu outras miss\u00f5es, como explorar o sert\u00e3o catarinense. Por isso, Marli acredita que ele tenha aproveitado as incurs\u00f5es para incluir mais exemplares \u00e0 pesquisa. Numa dessas viagens, fez o reconhecimento do rio do Bra\u00e7o e do Ribeir\u00e3o, em Nova Trento, que tamb\u00e9m \u00e9 chamado de Alferes, em homenagem ao posto que Noronha ocupava. Noronha morreu em 1814, em Desterro, aos 70 anos.<\/p>\n<p>Os autores acreditam que os manuscritos, preservados em bom estado no Museu Nacional de Portugal, tenham sido encaminhados \u00e0 corte portuguesa na \u00e9poca. Como ao retornar \u00e0 Europa em 1821 a fam\u00edlia real levou consigo boa parte do acervo da biblioteca, esse deve ter sido o destino do material.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Contribui\u00e7\u00e3o relevante, apesar da inexatid\u00e3o<\/h2>\n<p>Nos registros do militar aparecem frutas pouco conhecidas ou acess\u00edveis hoje em dia em Santa Catarina, como a banana ang\u00e1, o bacupari, jaracati\u00e1 e o timb\u00f3 peba. E, ainda assim, mesmo ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do livro, os autores foram surpreendidos:<\/p>\n<p>\u2013 A timbopeba, por exemplo, achei que era um tipo estranho, raro. Mas fiz uma entrevista na r\u00e1dio CBN Di\u00e1rio e uma pessoa falou que conhecia e que ainda existe no Sert\u00e3o do Imaru\u00ed, em S\u00e3o Jos\u00e9, na mata virgem \u2013 afirma Marli.<\/p>\n<p>O professor Falkenberg faz uma ressalva \u00e0s imprecis\u00f5es de Noronha na descri\u00e7\u00e3o das plantas. Por vezes, o militar erra na altura m\u00e1xima do p\u00e9 e no desenho de certas esp\u00e9cies. Um exemplo \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o do ara\u00e7\u00e1 grande, que na explica\u00e7\u00e3o de Noronha tem at\u00e9 25 palmos de altura (cerca de seis metros), mas na verdade passam de 15 metros.<\/p>\n<p>Apesar das inconsist\u00eancias, a obra de Noronha foi importante para o registro da bot\u00e2nica em Santa Catarina. \u00bfA impressionante compila\u00e7\u00e3o de Noronha reuniu informa\u00e7\u00f5es bot\u00e2nicas ainda indispon\u00edveis na \u00e9poca com uma boa qualidade art\u00edstica, o que ressalta a grande originalidade de sua obra, num per\u00edodo em que a bot\u00e2nica brasileira ainda dava seus primeiros passos, mesmo nas poucas prov\u00edncias mais desenvolvidas\u00bf, escreve Falkenberg. Para os autores, a pesquisa abre espa\u00e7o para que outros estudiosos aprofundem o tema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/dc.clicrbs.com.br\/sc\/estilo-de-vida\/noticia\/2017\/04\/pesquisadores-desvendam-manuscritos-feitos-sobre-frutas-de-florianopolis-ha-200-anos-9772680.html\">ClicRBS<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-25095\" title=\"\" src=\"http:\/\/plantasdobrasil.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/1010434_10151770643250934_1197999292_n.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" alt=\"\" width=\"194\" height=\"258\" \/><\/p>\n<p>Daniel Saueressig \u00e9 T\u00e9cnico e Engenheiro Florestal, com mestrado em Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza, e que n\u00e3o se cansa de estudar as plantas.<\/p>\n<p>Realizou diversas expedi\u00e7\u00f5es bot\u00e2nicas pelo pa\u00eds e participou de estudos flor\u00edsticos, fitossociol\u00f3gicos e invent\u00e1rios florestais, que foram apresentados e\/ou publicados em semin\u00e1rios, congressos, revistas, disserta\u00e7\u00f5es e livros.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2014 fundou a <a title=\"Editora Plantas do Brasil\" href=\"http:\/\/www.editoraplantasdobrasil.com.br\" target=\"_blank\" type=\"Acesse aqui nossa Loja Virtual\" data-cke-saved-href=\"http:\/\/www.editoraplantasdobrasil.com.br\">Editora Plantas do Brasil<\/a>, com o lan\u00e7amento do livro: <a title=\"Plantas do Brasil - \u00c1rvores Nativas Vol.1\" href=\"http:\/\/editoraplantasdobrasil.com.br\/loja\/item\/Plantas-do-Brasil-%252d-Arvores-Nativas-Vol.1.html\" target=\"_blank\" type=\"Clique aqui e saiba mais!\" data-cke-saved-href=\"http:\/\/editoraplantasdobrasil.com.br\/loja\/item\/Plantas-do-Brasil-%252d-Arvores-Nativas-Vol.1.html\"><strong>PLANTAS DO BRASIL \u2013 \u00c1RVORES NATIVAS Vol.1<\/strong><\/a>. Recentemente lan\u00e7ou um novo livro intitulado: <a title=\"Plantas do Brasil - Esp\u00e9cies Ornamentais Vol.1\" href=\"http:\/\/editoraplantasdobrasil.com.br\/loja\/item\/Plantas-do-Brasil-%252d-Especies-Ornamentais-Vol.1.html\" target=\"_blank\" data-cke-saved-href=\"http:\/\/editoraplantasdobrasil.com.br\/loja\/item\/Plantas-do-Brasil-%252d-Especies-Ornamentais-Vol.1.html\"><strong>PLANTAS DO BRASIL \u2013 ESP\u00c9CIES ORNAMENTAIS Vol.1.<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><\/h2>\n<hr \/>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adivinhe qual \u00e9 a fruta. De uma \u00e1rvore de cujo cerne se tira tinta amarela, que se colhe em janeiro e, para com\u00ea-la inteira, primeiro se lava o leite que ela tem, sem esbrugar? 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